Momento poético

UMA CASA É ASSIM

Uma casa é assim:
Com colo e ventreteresa_rita_lopes
para parir e acalentar as sucessivas gerações
que vai albergando.
Uma casa deve sobreviver como esta
aos seus bichos e homens
e agasalhar-lhes depois as almas.
Suas grossas paredes de antes do betão
recolheram os suspiros de amor e de agonia
dos seus antigos donos.
São sábias de mezinhas para tratar maleitas
do corpo e da alma.
Uma casa deve ter chaminé para desafogar seus fumos
e uma varanda para ensinar lonjura ao nosso olhar.
As vidas que a habitaram ficaram fósseis
na cal das paredes.
Até mesmo a dos bichos:
Ainda oiço roncar o porco que habitava o pocilgo
agora salinha de entrada.
O fantasma do galo que defendia a casa como um cão
atirando-se aos olhos dos estranhos
anda por aí pregando sustos.
Os machos e as mulas ainda soam na ramada
que já não existe: é a cozinha agora.
Suas almas penadas vêm em busca da nora
onde puxavam o engenho para tirar a água
com que o avô regava a horta
e eu chapinhava
descalça nas regueiras!
Até os balidos da cabrinha dos meus encantos
ficaram a morar nestes muros
e dentro de mim.
Uma casa tem que assentar no chão
para aí fincarmos nossas raízes.
Quem disse que as casas só servem para morar?

Teresa Rita Lopes

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